
Já pensaste como seria se de um momento para o outro acreditasses que não estás na tu casa, quando na realidade estás.
Começares a rejeitar a pessoa que mais amas, e que viveu contigo toda a tua vida?
Poderia ser ficção, mas é realidade. Cerca de 20 000 portugueses sofrem de Parkinson em Portugal, e consequentemente vivem o drama que descrevi nas duas perguntas retóricas anteriores.
Parkinson é uma doença devastadora do sistema neurológico que resulta na progressiva perda do controlo dos músculos. A doença manifesta-se inicialmente com tremores, rigidez nos movimentos e o decréscimo na capacidade de realizar movimentos, e em estados avançados, pode mesmo acontecer a perda de funções cognitivas.
A doença está associada com a morte das células produtoras de dopamina, um químico responsável pelas sinapses (troca de “mensagens”) entre as células nervosas. Estas células morrem naturalmente em qualquer pessoa, no entanto num doente de Parkinson, estas morrem a um ritmo demasiado acelerado.
O “onset”/começo de Parkinson, pode resultar de um acidente e que tenha danificado o cérebro, ou exposição de substancias tóxicas. No entanto os sintomas apenas acontecem em pessoas de meia-idade ou em pessoas mais velhas
Os primeiros sintomas, são com já referi a cima, principalmente tremores, dificuldade em movimentar-se, movimentos presos. Coisas como sentar-se, subir degraus, entrar num carro, tornam-se quase impossíveis para um doente de Parkinson. Á medida que o estado da doença se agrava, os tremores começam a dificultar a realização das tarefas do dia a dia, o simples acto de beber um copo de água, torna-se algo de difícil execução.
Num estado muito avançado da doença, o doente poderá ter períodos de “congelamento”, ou seja, o doente perde, por momentos, o controlo de movimentos, ficando paralisado por momentos.
Neste estado avançado, os doentes de Parkinson não conseguem controlar os músculos de expressões, quer faciais, quer mesmo as cordas vocais, tornando-se assim difícil para os doente controlar o seu tom de voz, ou mesmo sorrir. Isto leva a um elevado grau de frustração por parte do doente.
Neste momento, a qualquer momento, o doente pode começar a sofrer de deterioração mental, começando então com delírios, e confusão em relação ao que o rodeia, podendo acontecer que para o doente, deixe de conhecer o próprio parceiro(a) e/ou familiares.
Infelizmente, não existe uma cura propriamente dita, existem apenas medicamentos que podem ajudar o doente a manter um bom nível de qualidade de vida, no entanto o mais certo que o estado da doença se va agravando ao longo do tempo.
Se é penoso para o doente, muitas vezes é ainda mais penoso para as famílias, verem aquela pessoa a “perder” a dignidade e as suas faculdades físicas e mentais, a um ritmo verdadeiramente exponencial. Torna-se muitas vezes difícil, perceber o doente e as suas acções. Por isso é recomendado às famílias muita paciência e muito amor. Apesar de difícil, pode ser muito gratificante, porque haverá momentos de consciência do doente, onde o amor será retribuido.
Podem saber muito mais, no sitio da Associação Portuguesa de Doentes de Parkinson.
P.S.- Se ajudar uma pessoa com este artigo, então valeu a pena.